Pedalando 02 dias e 01 noite - São Francisco de Goiás a Cidade de Goiás 175 KM
Texto: caminhodecoracoralina.com.br


1° DIA - SÃO FRANCISCO DE GOIÁS / ITAGUARI ( DISTÂNCIA: 89 KM )

1° Trecho: São Francisco x Jaragua (distância média: 22km / Grau Dificuldade: Moderada

O trecho entre São Francisco e Jaraguá tem seus primeiros seis quilômetros por asfalto, seguindo a partir daí por estrada vicinal que, por longo percurso, margeia o Rio Pari. De longe, avista-se a imponente Serra de Jaraguá com mais de mil metros de altitude, excelente local para a prática de voo livre. A altitude do trajeto varia entre 626 metros e 981 metros acima do nível do mar. É neste percurso que o Caminho de Cora Coralina cruza a Ferrovia Norte-Sul e, por longa extensão, tem como principal visual a Serra de Jaraguá, onde se encontra o Sítio Arqueológico de São Januário. O relevo deste trecho é levemente acidentado até a chegada no Parque Estadual da Serra de Jaraguá.

Saindo de São Francisco após 17,7 quilômetros aproximadamente, cruza-se a BR-070, com mais 3,8 quilômetros de caminhada chega-se ao cruzamento da Ferrovia Norte-Sul, daí, é preciso andar mais 5,5 quilômetros até cruzar a ponte sobre o rio Pari.


2° Trecho: Parque Estadual Serra de Jaragua (subida até antenas / descida Trilha do Abismo) (distância média: 9km / Grau Dificuldade: Extremo)

Após a passagem sobre o rio Pari, vira-se à esquerda sentido ao Parque Estadual da Serra de Jaraguá, percorrendo 4,2 quilômetros até chegar à sede provisória do Parque, esse local é chamado de Maria Helena. Desse ponto, então, percorre-se 2,5 quilômetros de uma subida íngreme até a chegada ao topo da Serra de Jaraguá. Os últimos quilômetros do trecho são feitos por uma antiga trilha que transpõe a porção Norte da Serra, proporcionando ao caminhante um maravilhoso visual da cidade de Jaraguá, finalizando o percurso na Igreja Nossa Senhora do Rosário.

3° Trecho: Serra de Jaragua x Vila Aparecida (distância média: 26 km / Grau Dificuldade: Moderada)

O trecho caracteriza-se por um relevo pouco acidentado, variando sua altitude entre 606 metros e 725 metros. É uma região de agricultura e pecuária, destacando-se grandes áreas de cultivo de bananeiras. A saída é feita da Igreja Nossa Senhora do Rosário, em Jaraguá, percorrendo 1,5 quilômetro pela cidade até tomar a saída em estrada de terra. A partir daí, segue-se  margeando o Parque Estadual da Serra de Jaraguá, 3,2 quilômetros, aproximadamente, até o ponto mais baixo do trajeto no cruzamento da ponte sobre o rio Pari. Logo vira à esquerda, retornando pelo mesmo traçado sentido a São Francisco de Goiás, após 4,3 quilômetros da travessia da ponte, segue-se à direita sentido ao povoado de Vila Aparecida. Desse ponto até o povoado são 8,5 quilômetros.

4° Trecho: Vila Aparecida x Alvelândia (distância média: 10 km / Grau Dificuldade: Fácil)

Entre esses dois povoados, Vila Aparecida de Alvelândia, a característica é de relevo pouco acidentado, variação de altitude entre 676 metros e 775 metros. Região de agricultura e pecuária, destacando-se grandes áreas de cultivo de bananeiras. Um trajeto curto com total de 9,8 quilômetros e passagem por alguns córregos até chegar ao povoado de Alvelândia nas margens da rodovia BR-070.

Vale destacar a passagem da Romaria do Divino Pai Eterno, um dos eventos religiosos mais importantes do Brasil, que sai de Jaraguá, percorre os povoados e segue na direção da cidade de Trindade, próxima a Goiânia, palco de grandes eventos religiosos.

A paisagem oferece vistas de grandes campos e túneis de árvores entre as matas remanescentes, o Mato Grosso Goiano. Nas imediações de Alvelândia, situa-se a Fazenda Estaca, de valor histórico, descrita por diversos viajantes que cruzaram essa região nos séculos XVIII e XIX.

5° Trecho: Alvelândia x Palestina (distância média: 6 km / Grau Dificuldade: Fácil)

Relevo pouco acidentado, variação de altitude entre 773 metros e 818 metros. É uma região de agricultura e pecuária, destacando-se mistas de pastagens e alguns locais de matas. Um trajeto curto com total de 4,8 quilômetros até chegar ao povoado de Palestina.

Neste trecho, vale ainda destacar a passagem da Romaria do Divino Pai Eterno, um dos eventos religiosos mais importantes do Brasil, que sai de Jaraguá, percorre os povoados e segue na direção da Cidade de Trindade, próxima a Goiânia, palco de grandes eventos religiosos.

A paisagem segue com vistas de grandes campos e túneis de árvores entre as matas remanescentes, o Mato Grosso Goiano.

6° Trecho: Palestina x Itaguari (distância média: 16 km / Grau Dificuldade: Moderada)

 Povoado com 132 habitantes, possui posto de saúde, borracharia, energia elétrica, água tratada e uma mercearia que pode oferecer refeições eventualmente.

Região tipicamente rural, sem atrativos naturais. Não possui hotéis ou pousadas, mas possui um povo hospitaleiro e não será difícil arrumar alguns leitos. Apesar de pequeno, o povoado é todo asfaltado. No distrito de Palestina, o peregrino conhecerá a Capela Nossa Senhora de Fátima.

2º DIA - ITAGUARI / CIDADE DE GOIÁS (DISTÂNCIA: 86 km)

1° Trecho: Itaguari x São Benedito (distância média: 27 km / Grau Dificuldade: Difícil)

Relevo pouco acidentado, variação entre 650 metros e 800 metros, totalmente inserido no chamado Mato Grosso Goiano. Tal região era, no passado, inteiramente coberta por espécies predominantemente arbóreas do Cerrado sentido restrito, que cobria em torno de 70% do total da vegetação, com altura média variando entre oito e 15 metros.

Hoje, com a predominância de extensas áreas de agricultura e pecuária, a paisagem está totalmente modificada das características do passado, restando apenas alguns vestígios da mata original.

O povoado de São Benedito, antigo Olhos D’Água, dista 9 quilômetros do município de Itaberaí. É um importante centro de produção e comercialização de polvilho, também chamado de fécula de mandioca, excelente para o preparo da tapioca. A rua principal é ornamentada por diversas casas comercias que expõem embalagens do produto. É local de abastecimento e pouso aos caminhantes.

2° Trecho: São Benedito x Calcilândia (distância média: 23 km / Grau Dificuldade: Moderada)

Conta a história que havia um homem chamado Benedito que fazia panelas de barro e morava perto da fazenda que acabou originando o povoado. Era devoto de São Benedito, mas só tinha ouvido falar sobre ele, nunca tinha visto a imagem do santo. Certo dia, o homem foi até à Igreja de Nossa Senhora d’Abadia na cidade de Itaberaí e ganhou uma fotografia com a imagem de São Benedito. Chegando em casa, olhando a fotografia fez uma imagem de barro daquele santo.

Certo dia, o senhor Benedito recebeu a visita de dona Adelaide, que morava na fazenda e era de uma família muito católica. Adelaide viu a imagem de barro e achou tão bonita que a pediu a Benedito. Ela ganhou a imagem de São Benedito e, chegando em casa, improvisou um altar para o santo em sua sala com um tamborete de couro. Todos os dias a família se reunia para rezar o terço em frente à imagem.

Adelaide tinha uma filha especial. Seus conhecidos faziam votos ou promessas a São Benedito em beneficio dessa menina especial, e muitas dessas pessoas recebiam o que haviam pedido. Por esse motivo, levavam até a fazenda muitos mantimentos para pagar suas promessas.

Com o tempo, correu a fama desses milagres concedidos pelo santo a essa menina especial e a comunidade iniciou a festa em louvor a São Benedito por volta de 1919, naquela fazenda, onde hoje é o povoado de São Benedito. A festa, sempre no primeiro domingo de maio, era realizada devido à quantidade de pessoas que faziam romarias até aquela localidade, em carros de boi, carroças, a cavalo e a pé para pagar promessas.

O terreno foi doado para construção da primeira capela a São Benedito, iniciada por volta de 1940 e finalizada em 25 de outubro de 1946. A imagem foi levada para a capela e o padre ia de Itaberaí a cavalo para celebrar as missas. Algumas pessoas começaram a construir casas ao redor da capela e deram o nome de Olhos D’Água ao povoado, por causa de uma mina que havia no local.

3° Trecho: Calcilândia x Ouro Fino (distância média: 11 km / Grau Dificuldade: Difícil)

A partir do povoado de Calcilândia, predomina região serrana, com elevações que superam 860 metros de altitude, podendo variar a 554 metros. À direita, é possível visualizar a Serra de São Pedro, que guarda muito de suas características naturais e é fonte de histórias e mitos.

Saindo de Calcilândia, percorre-se 2,3 quilômetros até sair da estrada vicinal e pegar, à esquerda, estrada rural de terra. Nesse pequeno trecho, há grande tráfego de caminhões e por isso é importante redobrar a atenção. Em seguida, há uma virada forte à esquerda e com mais 800 metros deve-se virar novamente à esquerda. Segue-se mais 7,1 quilômetros até chegar a uma boa pousada. Com mais 10 quilômetros, passando por fazendas e lindas paisagens com vista da Serra Dourada, chega-se as ruínas de Ouro Fino.